Biblioteca: o ambiente da Ariê na Modernos Eternos BH 2026

A Ariê Interiores, sob a direção de Fernanda Caldas, assinou o espaço Biblioteca na Modernos Eternos BH 2026. O ambiente foi criado para aproximar adultos e crianças por meio dos livros, da convivência e de uma relação cuidadosa entre peças antigas e contemporâneas.

Compartilhar

Entre os dias 16 de junho e 12 de julho de 2026, Belo Horizonte recebeu a 11ª edição da Modernos Eternos, uma mostra que reuniu arquitetura, design, arte, decoração e gastronomia a partir de uma proposta clara: criar um diálogo entre diferentes épocas.

Móveis contemporâneos convivendo com peças antigas, objetos de memória, obras de arte e soluções atuais de design. Em vez de organizar o passado e o presente em espaços separados, a mostra aproximou esses elementos e revelou como eles podem habitar um mesmo ambiente de maneira natural.

Nesta edição, a Ariê Interiores, sob a direção de Fernanda Caldas, assinou o espaço Biblioteca.

Mais do que projetar um local para guardar livros, o escritório criou um ambiente voltado à convivência, à pausa e à recuperação de um hábito que vem perdendo espaço dentro de muitas casas: estar junto sem a interferência constante das telas.

Um espaço para ler e permanecer

A Biblioteca nasceu do desejo de resgatar uma experiência simples: crianças descobrindo histórias enquanto os adultos reencontram o prazer da leitura.

O projeto parte da ideia de que uma biblioteca doméstica não precisa ser um espaço rígido, silencioso por obrigação ou reservado apenas aos livros mais importantes da casa. Ela pode ser um lugar de uso cotidiano, onde as pessoas sentam, conversam, folheiam livros e permanecem juntas.

Na Biblioteca da Ariê, o silêncio não representa isolamento. É o silêncio confortável de quem divide o mesmo espaço sem precisar disputar atenção. Há o som das páginas, os pequenos movimentos, as conversas baixas e a presença das pessoas.

Essa percepção orientou as escolhas do ambiente. Cada elemento foi pensado para criar proximidade, acolhimento e vontade de ficar.

A casa como lugar de encontro

Quando falamos em conforto, é comum pensar primeiro em medidas, iluminação, ergonomia e escolha dos materiais. Tudo isso é importante. Mas uma casa confortável também depende das relações que ela permite construir.

Um ambiente pode ser visualmente bem resolvido e, ainda assim, não convidar ninguém a permanecer nele. Pode ter bons móveis, objetos caros e acabamentos cuidadosos, mas falhar em sua função mais básica: receber a vida das pessoas.

A Biblioteca busca o caminho contrário.

O espaço foi criado para ser ocupado. Para receber adultos e crianças. Para permitir diferentes formas de leitura, descanso e convivência. O projeto reconhece que uma casa muda ao longo do dia e que um mesmo ambiente pode acolher concentração, curiosidade, conversa e contemplação.

O design aparece como uma ferramenta para tornar essas experiências possíveis.

O diálogo entre modernos e eternos

A proposta da Modernos Eternos se conecta diretamente com a maneira como a Ariê compreende os interiores.

Uma casa não precisa seguir uma única época, uma tendência ou um estilo fechado. Os ambientes ganham personalidade quando conseguem reunir referências diferentes sem parecerem montados como um catálogo.

Uma peça antiga pode carregar a história de uma família. Um móvel contemporâneo pode responder melhor à rotina atual. Uma obra de arte pode introduzir cor, ritmo e significado. Tecidos, livros, objetos e lembranças pessoais ajudam a construir um espaço que pertence a quem vive nele.

Na Biblioteca, esse encontro entre tempos diferentes acontece sem excessos. O passado não aparece como decoração temática, e o presente não tenta apagar o que veio antes.

As escolhas convivem porque cumprem funções dentro de uma mesma ideia: criar um ambiente que acolha a leitura e fortaleça a presença das pessoas.

Arquitetura dentro de um patrimônio de Belo Horizonte

A edição de 2026 da Modernos Eternos ocupou dois endereços ligados à história da cidade: a centenária Escola Estadual Pedro II e a Casa Una, antiga residência de Afonso Pena Jr.

Ao todo, a mostra reuniu 40 ambientes assinados por 45 profissionais, além de uma programação cultural e gastronômica.

Criar um projeto dentro de uma construção histórica exige atenção ao que já existe. A arquitetura original não pode ser tratada como um fundo neutro. Proporções, aberturas, revestimentos, marcas do tempo e características construtivas participam da experiência do visitante.

Nesse contexto, o projeto de interiores precisa estabelecer uma relação com o edifício. Algumas decisões pedem contraste. Outras pedem continuidade. O equilíbrio surge quando a intervenção respeita a identidade do lugar sem abrir mão de uma leitura própria.

A Biblioteca foi construída a partir dessa conversa entre o espaço histórico, os objetos escolhidos e a proposta da Ariê.

O processo criativo da Biblioteca

Durante sua participação no Podcast Modernos Eternos BH, apresentado por Raffa Botta, Fernanda Caldas falou sobre o processo de criação do ambiente, as referências utilizadas e as decisões que deram forma ao projeto.

A conversa permite compreender o que existe por trás de um espaço pronto.

Antes da escolha de móveis, cores e objetos, existe uma intenção. É preciso definir o que aquele ambiente deve provocar, quem irá ocupá-lo e quais comportamentos o projeto pretende favorecer.

No caso da Biblioteca, a pergunta central estava ligada à convivência.

Como criar um espaço onde adultos e crianças possam estar próximos? Como recuperar o livro como parte da rotina da casa? Como criar silêncio sem tornar o ambiente formal ou distante? Como fazer com que as pessoas tenham vontade de permanecer ali?

Essas perguntas ajudam a entender por que o projeto vai além de sua composição visual. A estética participa de uma experiência maior, relacionada à memória, ao afeto e à vida dentro de casa.

O valor dos espaços que aproximam

A casa contemporânea recebeu muitos equipamentos e facilidades. Ao mesmo tempo, parte de seus ambientes passou a ser organizada em torno de telas individuais.

Cada pessoa pode assistir, trabalhar, conversar ou se distrair sozinha, mesmo quando todos estão no mesmo cômodo.

A Biblioteca propõe uma pausa nesse comportamento.

Ela recupera o espaço compartilhado, onde a convivência pode acontecer sem uma atividade obrigatória ou uma programação definida. Um adulto pode ler enquanto uma criança observa as imagens de um livro. Alguém pode apenas sentar, descansar ou iniciar uma conversa.

São ações simples, mas dependem de ambientes que ofereçam condições para que elas aconteçam.

Quando o projeto considera essas situações, o design deixa de ser apenas uma organização de objetos e passa a participar concretamente da rotina das pessoas.

Assista ao Podcast Modernos Eternos BH

No episódio do Podcast Modernos Eternos BH, Fernanda Caldas apresenta as ideias que deram origem à Biblioteca e explica como a Ariê desenvolveu o ambiente para a mostra.

A conversa, conduzida por Raffa Botta, revela as referências, os desafios e as escolhas que fizeram da Biblioteca um espaço dedicado aos livros, à memória e à convivência.

Assista ao vídeo completo e conheça o processo criativo da Ariê na Modernos Eternos BH 2026.